Fibromialgia e síndrome metabólica: alterações neuroendócrinas em comum

   A fibromialgia (FM) é uma síndrome caracterizada por sintomas diversos, como fadiga intensa, dor musculoesquelética difusa, menor limiar para dor e maior sensibilidade em pontos localizados (chamados tender points), alterações do padrão de sono, cefaleia e rigidez; esta doença tem prevalência que varia de 0,5% a 5% na população geral, atingindo principalmente mulheres, por volta da sexta década de vida.

   A síndrome metabólica (SM) foi descrita inicialmente como a associação de hipertensão arterial, dislipidemia e hiperglicemia com hiperinsulinemia, tendo como característica comum a resistência à ação da insulina (RI); hoje, sabe-se que existe uma enorme gama de outras alterações, como distúrbios da coagulação, hiperuricemia e microalbuminúria, todas essas ligadas à obesidade do tipo central. Sua prevalência mundial não é certa, porém é estimada em cerca de 20% a 25% na população geral, aumentando em homens idosos e mulheres na pós-menopausa, chegando a atingir 42% em indivíduos maiores de 60 anos.

   Atualmente tem sido descrita uma associação da SM e diabetes mellitus tipo 2 (DM 2) em pacientes com FM; diversos fatores estariam ligados a uma diminuição da sensibilidade periférica à insulina e aos demais componentes da SM, colocando-as como um fator de risco para desenvolvimento da DM 2 e demais complicações da SM.

Hipotireoidismo

   Recentemente surgiu a hipótese de que a FM poderia ser causada por uma alteração tireoidiana, por conta dos diversos sintomas em comum entre a FM e o hipotireoidismo; ao se pesquisar esta hipótese acharam-se, de fato, alterações nos hormônios tireoidianos e eixo hipotálamo-hipófise-tireoide indicativas de hipotireoidismo, resistência periférica por alterações genéticas dos receptores tireoidianos e associação à auto-imunidade tireoidiana. Outro fato que corrobora esses achados são alguns ensaios clínicos que apontaram para uma melhora do quadro após terapia de reposição hormonal tireoidiana.

   Embora a assosiação do hipertireoidismo com resistência insulínica seja bem documentada, alguns estudos comprovam a associação da RI também com o hipotireoidismo, cujos pacientes apresentavam hiperinsulinemia e dislipidemia, colocando, assim, o hipotireoidismo e a FM como fatores de risco para a SM.

Matéria de Antônio Ricardo de Toledo Gagliardi, Paulo Augusto Alambert, Lucas Ribeiro dos Santos, Rafael Costa Hime, Elimar Rodrigues Alexandre Filho, Fernando Focaccia Póvoa e Andrea Carla de Souza Contenças, da Faculdade de Ciências Médicas de Santos (Unilus) e Faculdade de Medicina da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), retirada da revista Diagnóstico e Tratamento | Edição jul/ago/set 2009 ∙ VOL.14 ∙ N° 3 .

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